quinta-feira, 1 de julho de 2010

Meu ‘interiô’


Esse poema é uma homenagem ao meu Pai, meus irmãos, Guto e Xandão e também ao amigo e irmão Renê Guerra que me inspirou a escrever estas palavras.

A minha terra é o “interiô”
Que cultiva paz e “amô”.
Por aqui a vida é encantada
E é “atravéis” da minha enxada
Que sustento a minha morada.

A natureza por aqui é sempre “prena”
Que invade rios e correntezas.
E com o chapéu na cabeça vou para
minha lavoura cuidar e cultivar
a minha existência.

O arado já está preparado pra “semeá”
E se a sabiá canta lá na laranjeira as
“Abeia” se delícia com a cana no “canaviá”.
O café colhido já foi torrado e moído, coado
E seu aroma “espaiado” para todo os lado.

Ê “interiô”,
“Ocê” é meu “amô”.
És minha paixão em grãos de;
“Mio”, “arroiz” e feijão.

É encanto que me leva aos prato
Que traz saudade e lembranças
Do tempo que eu era criança.

Se o passado me “faiz” atrasado
O hoje deixa eu envergonhado.
Por que da terra eu sou,
Da água eu vivo e das
palavras “simpres” eu poetizo.

Assim sou eu,
um caipira de “valô”,
um homem do interiô.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Reinado do Caboclo



Pois aqui estou e me sinto um rei.
Não estudei, mas foi da terra que me criei.

O meu reinado é um chão arado de terra e riacho.
O meu trono minha cadeira de descanso e o meu
Castelo é o meu teto feito de terra e cimento.

Não sou doutô, mas conheço o tempo.
Sei quando vai chuvê e pelo sor vejo a hora corrê.
Num fui na escola aprendi cum minha mãe e cum meu paizinho
Que com a simplicidade me ensinô ser um cabloquinho.

A enxada é minha máquina
O meu braço o motô
E o que planto é o combustive do meu amor.
Criei um reino com rei e rainha
Cuidei de seis vaquinha e alimentei ás minha cria.

Hoje estou só, feito uma novia
Esperando o dia que a coroa que o meu pai me deixou
Eu passe para o fio que nunca me visitou.

O reinado do caboclo nunca se acabou
O mato cresceu e os pé de fruta morreu
O seu fio que nunca apareceu, voltou
E não o encontrou.

Abriu a porta da velha palhoça e no trono
Do seu pai a coroa que ele deixou.
Seu filho ajoelhou e chorou.

Paizinho nunca fui um caboclinho
Mais aprendi com carinho tudo que senhor ensinou
Hoje sou doutor e foi o seu suor que me formou.
Volto pra casa pra tocar tudo o que senhor me deixou.

Pena que seja tarde, pois o senhor não está mais aqui
Mas prometo que minha família será rica e simples
Como o senhor sempre desejou.

Autor: Gui Venturini

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Homenagem a Pena Branca


Eu não poderia deixar de registrar e homenagear o mestre da musica raiz Pena Branca, esta semana perdemos mais um grande nome da música que como um grande interprete se juntou novamente com seu irmão Xavantinho.

O cantar original sempre fez da dupla um diferencial no meio musical, pois eram dois passarinhos cantando no idioma de nós seres humanos, com o jeito simples de cantar a dupla marcou e estará marcada em nossos corações.

Fica aqui a nossa homenagem em forma de música, pois as sua voz cantou e encantou com Eu, a Viola e Deus, música de Rolando Boldrin interpretada por Pena Branca e Xavantinho.

Música: Eu, a Viola e Deus
Composição: Rolando Boldrin
Interpretes: Pena Branca e Xavantinho

Eu vim-me embora
E na hora cantou um passarinho
Porque eu vim sózinho
Eu, a viola e deus
Vim parando assustado,
Espantado
Com as pedras no caminho
Cheguei bem cedinho
Eu, a viola e deus
Esperando encontrar o amor
Que é das velhas toadas
Cançoes
Feito as modas pra gente cantar
Nas quebradas dos grandes
Sertões
A poeira do velho estradão
Deixou marcas no meu coração
E nas palmas das mãos e do pé
Os catiras de uma mulher
Ei, essa hora da gente ir-se
Embora
É doída
Como é dolorida
Eu, a viola e deus
Eu vou-me embora
E na hora vai cantar um
Passarinho
Porque eu vou sozinho
Eu, a viola e deus
Vou parando assustado
Espantado
Com as pedras no caminho vou chegar cedinho
A viola, eu e deus

O cantor José Ramiro Sobrinho, conhecido como Pena Branca, morreu na noite de segunda-feira (8), aos 70 anos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Assentamento Bela Vista


Mais um grupo de pessoas que vivem de uma forma simples e longe do mundo contemporâneo.

Quando era criança e isso não faz muito tempo...meus pais e avós sempre falavam do Assentamento Bela Vista, mas nunca tinha ido visitar, pois chegou o dia e agora podemos ver em alguns registros fotográficos.

Estrada entre Araraquara-SP a Guarapiranga-SP depois de percorrer praticamente quinze quilômetros cheguei numa outra estrada onde nos leva até o Assentamento Bela Vista, a estrada é de terra e é preciso percorrer ainda mais oito quilômetros para chegar, ao redor diferente do que estamos acostumados ver por aqui, plantações de Eucalipto, Girassol, Mandioca (Aipim ou Macaxera) e pouca cana, já que estamos acostumados com cana, muita cana.

Sítios, fazendas e chácaras e vamos em frente, der repente no meio do nada aparece o Assentamento Bela Vista, você não acredita, o local fica praticamente escondido, você não consegue avistá-lo como avistamos as cidades quando estamos na estrada, ele fica super escondido e isso que eu acho o mais bacana.

Não tem asfalto e nem mansões, mas existe um chão de terra vermelha e batida, também lindos lares onde moram seres humanos simples e felizes com tudo que tem.

Esses moradores não estão presos á internet e muito menos a celulares, estão presos com suas raízes e sua cultura.

Diferente de muitos lugares do nosso Brasil, no Assentamento Bela Vista existe uma linda escola considerada modelo pela forma de ensino, onde o aprendizado vai além da sala de aula e o melhor, essas crianças não precisam viajar para poder aprender.

Energia elétrica, telefone público, água da mina e canteiros de hortaliças, assim é o assentamento, igual temos na cidade como aqui falamos, mas existe uma grande diferença, que é o contato pleno com a natureza.

Pode até ser que os jovens do assentamento não estejam contentes porque gostariam de viver onde tem mais agitação, horas, eles são jovens e cheios de energia, mas se eu pudesse dar um conselho a eles, fiquem onde estão, valorize o que tem, porque amanhã você poderá querer voltar e pode ser que não exista mais.

“Vivam e batam asas, mas não esqueçam das suas raízes”


Igreja São Judas Tadeu no Assentamento.


Antigo Clube Socidade Desportiva Cultural Bela Vista


Alameda Bela Vista


Aqui mora um Corinthiano


EMEF Hermínio Pagotto


Rua Principal do Assentamento


Depois do trabalho, o descanso merecido.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Trilhos, caminhos da lembrança.



Falar dos trilhos da velha ferrovia é lembrar-se das grandes conquistas que os trilhos proporcionaram a esse Brasil de meu Deus.

Os trilhos transportaram sementes, pessoas e oportunidades, também transportou o futuro promissor, construiu pequenos vilarejos por onde passou, e o nosso interior é prova disso, podemos hoje ver esses vilarejos que viraram distritos e até cidades.


Estação de Bueno de Andrada - Distrito de Araraquara

A tão importante Companhia Paulista fez história e seus funcionários eram idolatrados pela sociedade, na época de auge da Companhia, quem era funcionário da Companhia Paulista era visto com muito respeito, mas o tempo passou, o transporte no Brasil mudou e os trilhos foram e estão se acabando.

Lembro-me que na minha infância sentado na janela do quarto dos meus pais saboreando banana amassada com “Neston”, eu e minha mãe toda tarde víamos o trem passar, ótima lembrança do tempo de criança.


Maria Fumaça de Araraquara (foto tirada em 1999)

Quando chegou a época de ir para a escola nos meus sete anos de idade, passava em frente do prédio da FEPASA (Ferrovia Paulista S.A.) em Araraquara e via uma linda “Maria Fumaça” exposta defronte ao prédio, mas como tudo passa, eu cresci e a “Maria Fumaça” foi doada para Campinas, onde acontece o trajeto de trem conhecido Campinas a Jaguariúna, e hoje adulto, passo em frente ao “Museu Ferroviário de Araraquara” porque agora temos um museu na antiga Estação Ferroviária e a “Maria Fumaça”, cadê? Triste saber que a cidade doou a “Maria Fumaça” e hoje temos um museu ferroviário, claro, que a “Maria Fumaça” está sendo usada para o turismo nestas cidades, mas porque não poderia estar sendo usada para o turismo em Araraquara e região?


Estação Ferroviaria (Museu Ferroviário de Araraquara)

Outra conquista dos ferroviários em Araraquara foi a AFE - Associação Ferroviária de Esportes, a famosa “Ferrinha”, que era o clube dos ferroviários. E a nossa “Ferrinha” teve seus momentos de glória em 1966 quando foi campeã da Segunda Divisão, Tricampeão do Interior Paulista em 1967-68-69 e 1985 quando disputou à semifinal do Campeonato Paulista.

A “Camisa Grená” tão famosa hoje, já não traz tantas alegrias, mas tudo está sendo reformulado e a AFE ganhou um novo estádio e diga-se, de passagem, um lindo estádio no padrão FIFA.


Arena Fonte Luminosa Araraquara

E se é coincidência do destino ou não, hoje moro ao lado de uma estrada de ferro, onde posso ver da janela do meu quarto o trem passar e durante a noite ele apitar, doce lembrança da minha infância e dos tempos que não voltam mais, nem para mim e nem para o trem!

E para encerrar deixo essa singela homenagem a linda Maria Fumaça.

Maria Fumaça

Dormentes, ferro e pedra. Assim começa os caminhos da estrada de ferro. Homens trabalhando e roçando matas, atravessando todo esse Brasil abrindo artérias que corriam vagões que levavam em cada carga, esperança, progresso e projetos para nosso futuro.

A Maria deixava um rastro de fumaça por onde passava...ehhhh!!! Maria, que saudade dos passeios e dos lugares que deixaram grandes amizades.

No pensamento a família que ficou na roça e a esperança no olhar daquele sertanejo fazia ele viajar ao som do piuí de Maria. Em cada parada uma nova esperança, em cada cochilo, o sonho de um novo lugar e uma nova oportunidade de viver e matar a saudade lá de casa, da comida, da minha enxada, da minha amada.

O meu lugar, a minha terra, a minha morada ficou para traz, mas ainda posso voltar, pela janela paisagens, a passarada fazendo alvorada e a cada fim de tarde dentro daquela máquina o sol dava um show e eu, o espectador aplaudia com lágrimas de emoção de ver o quanto era bom o meu sertão.

Viajei todo esse Brasilzão, mas sempre na contramão, voltei para meu lugar, na bagagem lembranças e saudade da minha casinha, logo na porteira avistei a lamparina acesa na varanda, a fumaça na chaminé me fez lembrar de Maria, em cada passo o coração acelerava e num passe de mágica de braços abetos as minhas amadas, soltei a minha mala e corri em direção da saudade e de braços abertos senti meu aconchego.

Maria foi minha companheira de longos dias, Maria é minha mãe, Maria é minha amada, Maria, minha filha, Ave Maria...vocês são as mulheres da minha vida.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Semana de comemorações - Árvore e Primavera

Esta semana é uma semana de celebração à natureza, no último dia 21 de setembro comemoramos o Dia da Árvore, no próximo dia 23 celebraremos a chegada da Primavera.

Duas datas importantíssimas principalmente nos dias de hoje. Todos nós já estamos cansados de ouvir o quanto devemos cuidar e preservar, por isso, não vou ser repetitivo, peço que você passe a observar mais as belezas que a Primavera irá mostrar, assim quem sabe, passamos a ter mais respeito.


Árvore é vida.


Primavera é beleza.

“As belezas da vida só podem ser contempladas com respeito e amor a natureza”.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O sertão de Euclides da Cunha

Mais uma de minhas andanças pelo interior de São Paulo e desta vez passei por São José do Rio Pardo, cidade que Euclides da Cunha escreveu boa parte do livro OS Sertões.

A beira do Rio Pardo trabalhando no projeto de uma ponte Euclides da Cunha no seu escritório feito com folhas de zinco escreveu seu livro, a cidade que o acolheu presta todo ano uma homenagem ao escritor com a Semana Euclidiana, além do monumento o escritório onde Euclides da Cunha escreveu o livro continua lá, protegido por uma casa de vidro.

Este ano é comemorado o centenário da morte de Euclides da Cunha e a cidade está com uma agenda cheia de atrações para a comemoração, vale á pena conferir.

Essa é uma das riquezas de São José do Rio Pardo e do nosso interior, confira algumas fotos.

Ponte do Rio Pardo construída entre 1898 a 1901.
Casa de Zinco - o escritório de Euclides da Cunha
Mesa onde parte do livro foi escrito.
Na placa a seguinte mensagem: "Esta mesa é esquisita com eu mesmo, não tem gavetas"
Monumento Euclides da Cunha
Obelisco Euclides da Cunha
Igreja da Matriz em São José do Rio Pardo